
Na Fazenda da Esperança, trabalhar a terra é também uma oportunidade de reconstruir a vida. Foi neste espaço de acolhimento e recomeço que a Ministra da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Eveline Nair Monteiro Ramos, realizou, na manhã de 2 de setembro, uma visita marcada pela escuta, pela partilha de testemunhos e por compromissos de apoio à instituição, sob a responsabilidade do padre missionário brasileiro Ronaldo de Lima.
A Fazenda da Esperança é uma comunidade terapêutica católica que acolhe e acompanha pessoas em recuperação da dependência de álcool e outras drogas. Em Cabo Verde, dispõe de unidades masculina e feminina e combina espiritualidade, convivência comunitária, trabalho e formação, incluindo atividades agrícolas, para ajudar os acolhidos a recuperar a autonomia, fortalecer os laços familiares e preparar a sua reinserção na sociedade.
Durante a visita às duas unidades, o padre Ronaldo de Lima e a equipa da instituição apresentaram as principais necessidades da comunidade, com destaque para o acesso à água, a rega gota a gota, as estufas, as condições para a criação de animais e a formação técnica. Estes recursos permitirão ampliar as atividades produtivas, criar oportunidades de aprendizagem e contribuir para a sustentabilidade da Fazenda.
Perante os desafios apresentados, Eveline Nair Monteiro Ramos assumiu o compromisso de apoiar as respostas que se enquadram nas competências e possibilidades de intervenção do MADRP, com prioridade à unidade feminina.
O primeiro passo está marcado para 3 de setembro, com a deslocação de um técnico da Direção-Geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária (DGASP) à Fazenda, para realizar um levantamento das necessidades e das condições existentes. No dia 11 de setembro, terá lugar uma breve reunião para apresentar a situação e planear as intervenções.
Este trabalho permitirá definir as soluções técnicas e organizar os apoios de forma faseada, começando pela unidade feminina e dando seguimento às necessidades da unidade masculina.
Os testemunhos partilhados durante a visita mostraram a dimensão humana desta missão: mulheres e homens que procuram recuperar a confiança, reencontrar o seu lugar na família e construir novas perspetivas de futuro.
Neste percurso, a agricultura representa mais do que a produção de alimentos. Cada tarefa, cada cuidado com uma planta e cada colheita constituem oportunidades de aprendizagem, responsabilidade e cooperação — passos que ajudam a construir autonomia.
Com os próximos passos já definidos, o MADRP associa o apoio à produção agrícola à inclusão social, contribuindo para que o trabalho da terra abra novas oportunidades a quem está a recomeçar.
